Hong Kong: cinco coisas para saber sobre Bitcoin

O Governo de Hong Kong lançou uma campanha de educação popular sobre os riscos do Bitcoin e de outras criptomoedas.

Bandeira de Hong Kong
Bandeira de Hong Kong: um dos maiores centros financeiros é conhecido também por possuir a economia mais livre do mundo

A campanha pretende conscientizar a população, a fim de que obtenha uma compreensão correta e abrangente do tema.

A partir desta semana, uma série de propagandas será veiculada em estações de trem, na mídia impressa e digital. Em março, Hong Kong difundirá as propagandas na televisão, nas estações de rádio e nas redes sociais.

Criptomania em Hong Kong

O Subsecretário de Serviços Financeiros e do Tesouro, Joseph Chan, disse que a cobertura da mídia, bem como a intensa publicidade em torno das ICOs (as ofertas iniciais de criptomoedas) e das criptomoedas, como o Bitcoin, despertou o interesse dos investidores. Mas o público pode estar usando as criptomoedas como ferramenta especulativa sem a compreensão de sua natureza e dos riscos.

Chan afirmou ainda que, com a campanha, a população hong-konguesa poderá avaliar minuciosamente os riscos antes de comprar criptomoedas.

As criptomoedas são produtos de alto risco, e que não se encaixam comumente no perfil dos investidores. Na realidade, as criptomoedas são mercadorias virtuais, e não possuem qualquer fidúcia estatal.

Além disso, alerta o Governo de Hong Kong, não são apoiadas por nenhuma mercadoria física ou pelos próprios emitentes, e não são ainda reconhecidas como meio de pagamento ou moeda eletrônica.

O público é orientado nas peças publicitárias a acessar o site da Chin Family para saber mais sobre os riscos associados às criptomoedas. O interessado encontrará  na Chin Family diversos infográficos e artigos.

Um dos artigos elenca aos investidores as cinco principais características do Bitcoin e de outras criptomoedas (em tradução livre, com adaptações):

1. Altamente volátil

Os preços do Bitcoin flutuam muito.

Por exemplo, quando o governo chinês declarou a ICO como uma atividade ilegal, o preço de várias criptomoedas caiu. Aliás, na época, o preço do Bitcoin caiu fortemente, 40%, mas logo depois subiu 30%.

Montanha-russa

A volatilidade é semelhante a um passeio de montanha-russa.

O Bitcoin registrou enormes ganhos desde o início de 2017. Entretanto, independentemente dos ganhos, os riscos envolvidos não devem ser desprezados.

2. Visões divergentes do mercado

A opinião sobre o Bitcoin é dividida.

Por exemplo, enquanto alguns em Wall Street criticaram publicamente o Bitcoin, chamando-o de “farsa”, certos bancos de investimento estão otimistas em relação a esse mercado.

Quanto aos governos, muitos apenas relembram os investidores dos riscos envolvidos com o Bitcoin. Mas alguns países, como o Japão, já regularam as criptomoedas.

3. Evolução constante

Bitcoin é um novo produto da tecnologia financeira.

Pode-se dizer que ainda está no estágio experimental, e, portanto, evoluirá bastante nos próximos anos.

Por exemplo, as disputas sobre as mudanças nas regras do protocolo (bifurcação), que surgiram como resultado da capacidade de emissão, poderão levar à criação de outra criptomoeda relacionada ao Bitcoin.

A primeira bifurcação já aconteceu em agosto de 2017, e a próxima, mais controversa, que estava originalmente programada para meados de novembro do ano passado, foi de repente suspensa.

Eventos assim podem afetar diretamente o preço da criptomoeda.

4. A segurança é uma grande preocupação

Os ataques cibernéticos que resultaram no roubo de criptomoedas estão se tornando cada vez mais comuns.

Hacker

Por exemplo, a maior casa de câmbio de Bitcoins do mundo até então, Mt. Gox, fechou em 2014, porque uma enorme quantidade de Bitcoins custodiados para clientes foi furtada por hackers.

Em 2016, duas plataformas que realizavam transações de Bitcoin em Hong Kong relataram invasão de hackers e furto de ativos de clientes.

Assim, uma maneira mais segura de manipulação de Bitcoins é mantê-los em sua própria carteira digital (ou seja, aplicativos de celular, software ou hardware usados ​​especificamente para salvar, armazenar e enviar Bitcoins), mas também não é 100% seguro.

A carteira digital pode ser igualmente atacada por hackers (embora haja uma possibilidade menor) ou ser infectada por vírus. Ou, ainda, caso se esqueça da senha, isso poderá resultar em um bloqueio permanente, que impediria o uso dos Bitcoins.

O ataque hacker não é, todavia, a única forma de perder Bitcoins.

Neste mês, ladrões assaltaram uma casa de câmbio no Rio de Janeiro e exigiram Bitcoins, mas não chegaram a levá-las. Já no Reino Unido, ocorreu de fato o primeiro roubo de Bitcoins a mão armada.

Além disso, as plataformas de intercâmbio são criadas por empresas privadas, que podem estar desreguladas e localizadas no exterior.

Se essas plataformas cessarem as operações, colapsarem ou forem pirateadas, os investidores enfrentarão o possível risco de perder todos os investimentos realizados.

5. Riscos associados a atividades ilegais

Devido ao anonimato relativo e à facilidade de transferência, o Bitcoin pode ser utilizado para a prática de crimes.

Por exemplo, lavagem de dinheiro, financiamento de atividades terroristas, tráfico de armas e de drogas.

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